terça-feira, 27 de setembro de 2016

Eu estou pronto para ser pai?



"Passei o domingo, dia dos pais, cercado por alunos do treinamento em constelação familiar sistêmica. Alguns, entre graça e provocação, me chamavam de “papai”. Curiosamente, tenho trabalhado o tema pai intensamente, nos últimos meses. Seja pelo processo do floral de Joel Aleixo, seja pela constelação familiar, fato é que estou sendo chamado a olhar este aspecto do masculino que, para mim, ainda é um mistério.


E como não poderia deixar de ser, a vida dá uma ajudinha. Tenho a possibilidade de ser pai novamente, e me deparei com um gigantesco “não” interior. Não é o momento! Estou no melhor da minha carreira, e isso iria atrapalhar meus planos! Já tenho dois filhos, para que mais? Perderei minha liberdade! Estou velho para isso!

O ego reage alucinadamente ante a possibilidade de eu ser gerador de mais uma vida… Ôpa, tem algum boi na linha… E então, resolvi encarar este fato de frente: posso ser pai, mas minha intenção consciente está negando.

Na última segunda feira, tivemos o grupo de homens, o Diamante Bruto, e trouxe esta questão para compartilhar. E curiosamente, embora nenhum dos outros homens estavam com a mesma neura, muitos disseram da dificuldade de concretizar seus planos. Na vida real. Dificuldade da carreira deslanchar. Medo de não se bancar. Insegurança. Medo de dar o primeiro passo. Medo da mudança de carreira. Muita masturbação mental e pouca ação concreta. Ou ações desenfreadas, inconsequentes e desistência. De alguma forma, estes homens estavam com dificuldade de gerar um filho, ou mantê-lo vivo, após a inseminação.

Fazendo a analogia de que todos os projetos que gestamos são filhos, me caiu a ficha: todo filho necessita de uma barriga, um ventre que o abrigue. Assim, é necessário estar em paz com o feminino, para gerar um filho saudável. É importante estar em paz com a mãe interior. Porque é a mãe que irá carregar o filho em seu ventre, durante nove meses. O pai, após a gestação, deverá proteger a mulher, dando condições para que a cria nasça bem. E então, fui procurar ajuda em Bert Hellinger, para entender melhor este processo da paternidade.

“…faz parte das ordens do amor na relação entre o homem e a mulher que ambos estejam orientados em função de um terceiro, e que sua masculinidade e sua feminilidade só se completem num filho. Pois o homem só se torna plenamente homem como pai, e a mulher só se torna plenamente mulher como mãe. E só filho o homem e a mulher formam indissoluvelmente uma unidade, de maneira plena e visível para todos. No entanto, seu amor ao filho como pais apenas continua e coroa seu amor como casal, porque este vem antes daquele. E, assim como as raízes nutrem a árvore, assim também seu amor como casal sustenta e nutre seu amor de pois pelo filho”.

Puxa! Hellinger me ajudou! A questão do masculino e feminino, papai e mamãe estava clara pra mim. Porém, a questão do amor do casal, que é a base para o amor aos filhos, ficou clara somente agora! Nunca havia pensado nisso. Não posso negar que meus atritos com meu relacionamento anterior e divórcio marcaram profundamente meu ser. Mas neguei. Fingi ser um cara trabalhado. Terapeutizado. Espiritualizado. E as dores lá… esperando um gatilho para serem acionadas novamente. E o gatilho agora é a possibilidade de ser pai.

Lendo o texto do Hellinger, pergunto a mim mesmo: eu confio no relacionamento e amor do casal? Eu realmente estou em paz com o feminino que está ao meu lado, para poder amar nossas criações futuras? O amor do casal vem antes do amor aos filhos. Caso o primeiro esteja corrompido, o segundo também estará…

Aos meus amigos homens, que estão com problemas com seus projetos de vida, igualmente filhos, mas com outro aspecto, sugiro que avaliem como está a sua confiança em relação à mulher. Seja sua parceira, mas principalmente, sua mãe. Se você está em combate com o feminino, poderá jogar muitos espermas sobre tudo, porém, nada fecundará. Ou morrerá rapidamente. Se você não confia no amor entre um homem e uma mulher, a união dos princípios básicos da vida, o masculino e feminino, não conseguirá ter amor suficiente pelas suas criações. E elas poderão morrer. Ou nem nascer."
Alex Possato
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Aprecio os temas que este terapeuta aborda, pois tem um profundo amor aliado a uma sensibilidade genuína.
Resolvi postar este artigo porque é muito rotineiro que, na perda de bebes, ou na impossibilidade de gerá-los, atribui-se à mulher toda incapacidade. Como podemos ver aqui existem raízes profundas em ambos que pode estar gerando esta situação...
Sempre é bom olhar de forma diferente, avaliar, trabalhar internamente este feminino e partir para a paternidade mais liberado,  e , com a relação de casal baseada no amor.
Lembrando sempre o princípio básico de tornar-se um homem ou uma mulher  só se torna pleno quando um homem transforma-se em pai, e a mulher só se torna plenamente mulher como mãe.
Abortos espontâneos? Dificuldade para engravidar? Mais uma janela aberta para olhar e ponderar.
Boa reflexão
Tais


sábado, 17 de setembro de 2016

A vida é um sopro…


"A morte do ator Domingos Montagner me fez refletir sobre a nossa vivencia aqui na terra e enquanto refletia, surgiu em meu pensamento a frase: “A vida é um sopro”. Resolvi fazer dela o título desse texto, revirei meu baú e não encontrei outro que explicasse aquilo que é a vida para mim.

Concluí então que a vida é um baile no qual dançamos dias e noites sem saber quando as luzes serão enfim acesas, seguimos ao som das músicas, ritmos desenfreados, fadigados. Baile, onde dançamos para todos os lados a fim de chegarmos ao topo do palco.

Passamos os dias mergulhados em trabalhos, imersos em futilidades diárias. 
Não entendam que o trabalho seja fútil, no momento falo de coisas banais, de nos preocuparmos com a grama do vizinho ao invés de nos doarmos aos nossos familiares e amores, aqueles que ao longo do tempo tatuamos em nossa alma.

Não temos muito tempo aqui na terra, o tempo que nos foi dado é apenas para que possamos desenvolver o amor. Cada dia que passa aumenta a minha convicção de que as pessoas que já foram para os braços do Pai é porque de alguma forma aprenderam a amar verdadeiramente.

Toda essa história me fez pensar e então me fiz uma pergunta e gostaria de fazer a vocês também:

Como é que está a bagagem da sua vida?

O sopro pode passar a qualquer momento e deveremos estar com as malas na mais perfeita ordem, porque quando chegarmos ao paraíso, Deus irá nos perguntar: amas-te?

Enfim, que possamos permitir que as pessoas que cruzam nossos caminhos nos edifiquem, que cada ser humano chegue para iluminar a janela da nossa alma com o seu amor e transparência divina.

Daqui nada levaremos a não ser aqueles que contribuíram para nossa jornada e nos fizeram transbordar de felicidade. A vida é uma eterna dança das cadeiras, estamos dançando, mas não sabemos em qual momento o Criador irá retira-las da roda e coloca-las ao lado d’Ele."

Caroline Movio - Fonte:https://osegredo.com.br
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"Quando morremos passamos para um lado do qual nada sabemos. A imagem é que a vida emerge da origem a qual não conhecemos. Quando chega a morte, submergimos de volta ao original. 
Logo, a vida, tampouco pode ser maior ou o máximo. Aquilo de onde a vida emerge tem de ser maior que a vida. Por isso, a transição da vida para a morte tampouco é uma perda. Fecha-se um círculo, no qual o princípio e o fim são os mesmos.
    A vida emerge, chega a um certo apogeu e, então, torna a submergir. Assim como um dia que, quando nasce, começa com um impulso, alcança então, o zênite, fica um momento, assim parece, no alto, e, então, baixa outra vez para a noite.
    O dia se torna mais pleno com o seu transcorrer. Assim se dá também com a vida. Com o seu transcorrer, torna-se mais plena e somente quando termina está completa e perfeita.
     Como num círculo, o começo e o fim confluem para um ponto, o mesmo se dá com a nossa vida. Entre o começo e o fim está o nosso tempo."
    Acho muito lindo este texto do Hellinger e creio que nos oferece uma outra faceta sobre a vida e a morte.
Uma boa semana  com o tempo sendo melhor usado para amar e viver "de verdade".
Tais

domingo, 11 de setembro de 2016

“As Ordens da Ajuda”, segundo Bert Hellinger.


Sabedoria - Bert Hellinger

O sábio concorda com o mundo tal como é,
sem temor e sem intenção.

Está reconciliado com a efemeridade
e não almeja além daquilo que se dissipa com a morte.

Conserva a orientação, porque está em harmonia,
e somente interfere o quanto a corrente da vida o exige.

Pode diferenciar entre:
é possível ou não, porque não tem intenções.

A sabedoria é fruto de uma longa disciplina e exercício,
mas aquele que a possui, a possui sem esforço.

Ela está sempre no caminho e chega à meta,
não porque procura.
Mas porque cresce. 

Bert Hellinger nos fala da “arte” da ajuda (As Ordens da Ajuda – Atman Editora), como uma faculdade que, por um lado, pode ser aprendida e por outro, exige do ajudante uma sensibilidade para compreender aquele que procura ajuda. Compreender o que é adequado no momento, o que dá e o que tira força, o que pode erguer o que procura ajuda acima de si mesmo, para “algo mais abrangente”.

Ele vê a ajuda como compensação, como algo que serve não só ao que recebe mas ao que doa. Em relação aos nossos pais, esta “compensação” diante do presente grande demais que recebemos deles, a nossa própria vida, só é possível através do passar adiante para os nossos próprios filhos, para a vida que segue.

Portanto, o tomar e o dar, diz ele, “acontecem em dois níveis, entre pessoas equiparadas, exigindo reciprocidade e entre pais e filhos, superiores e necessitados, quando o tomar e dar se assemelha a um rio que leva adiante o que recebe em si”.
Essa ajuda última, pressupõe que nós tenhamos recebido e tomado, somente assim teremos a necessidade e a força de ajudar outros. 

Percebemos, com freqüência, nas Constelações Familiares, situações onde, por diversas razões, o “filho” não tomou dos pais, ou de um deles, tudo que deveria, ficando portanto com este bloqueio no fluxo natural do amor e da ordem, com prejuízo para o seu desenvolvimento e amadurecimento, revelados, muitas vezes, na dificuldade em dar, em passar adiante e também em receber de forma madura.

Focando principalmente na “ajuda” no âmbito da terapia, Bert Hellinger nos apresenta as suas “Ordens da Ajuda”: 

1ª- “Dar apenas o que se tem e somente esperar e tomar o que se necessita”.

Portanto a desordem aqui acontece quando uma pessoa quer dar o que não tem, e a outra quer tomar algo de que não precisa. Também ocorre quando uma pessoa não pode dar algo porque tiraria da outra algo que só ela pode ou deveria fazer.
Portanto, existem limites no dar e no tomar. Pertence à arte da ajuda, nos diz B. Hellinger, percebê-los e se submeter a eles. 

2ª- “Nos submetermos às circunstâncias e somente interferir e apoiar à medida que elas o permitirem.”

Olhar junto com aquele que procura ajuda, pois o querer ajudar contra as circunstâncias enfraquece tanto o ajudante quanto aquele que espera ajuda ou a quem ela é oferecida ou, até mesmo, imposta.
Na situação de uma doença hereditária, por exemplo, ou nas conseqüências de acontecimentos gerando circunstâncias externas e internas inalteráveis, não admiti-las leva a ajuda ao fracasso.
...”Para muitos ajudantes o destino do outro parece difícil e querem então mudá-lo, nem tanto porque são procurados para tal , mas porque o próprio ajudante não consegue suportar este destino. E quando o outro, mesmo assim, se deixa ajudar por eles, não é tanto porque precise disso, mas porque deseja ajudar o ajudante. Então esta ajuda se torna tomar e o tomar a ajuda, doar”.

A ajuda na relação entre pais e filhos.

“ Os pais dão e os filhos tomam. Os pais são grandes, superiores e ricos, os filhos pequenos, necessitados e pobres.”

Bert Hellinger nos fala aqui do profundo amor mútuo que liga pais e filhos em que o dar e o tomar podem ser quase ilimitados. Os filhos podem esperar quase tudo de seus pais e os pais estão dispostos a dar quase tudo aos seus filhos. Isto é necessário, na sua opinião, é a ordem nesta relação. Entretanto, alerta, “é a ordem enquanto os filhos ainda são pequenos, pois com o avançar da idade, os pais devem ir colocando limites aos filhos, com os quais estes podem entrar em atrito e dessa forma, amadurecerem.”

Colocar limites então, é a condição para que os pais possam preparar os filhos para a vida
de adultos e isto é prova de um grande amor. Muitos filhos ficam com raiva de seus pais porque preferem manter a dependência original, contudo “é justamente porque os pais se retraem e desiludem essas expectativas, que ajudam seus filhos a se libertarem dessa dependência e, passo a passo, a agirem por própria responsabilidade.” Somente assim, continua, “os filhos tomam o seu lugar no mundo dos adultos e se transformam de tomadores em doadores”.

3ª – “Colocar-se como adulto diante do adulto que procura ajuda; evitar a relação de transferência com os pais”.

Bert Hellinger neste tópico nos alerta sobre os riscos de querermos substituir os pais daqueles que nos procuram para ajuda, evitando assim as chamadas transferência e contra-transferência. Ressalta porém as condições em que, momentaneamente damos continência enquanto ajudantes, ao sentimento expresso por aquele que teve precocemente um movimento interrompido em direção aos pais. Neste momento estamos representando os pais reais do cliente, sem pretensão de ser melhor ou maior que eles, evitando assim o desprendimento dele de seus pais reais.

Quando lidamos com crianças, a mesma observação é válida e ao estabelecermos sintonia
com os pais reais, respeitando-os “de coração”, a ajuda pode ser eficaz mesmo que momentaneamente temos que representar para elas, os pais afastados numa situação de interrupção prematura do movimento em direção aos filhos.

“A desordem neste caso seria permitir que um adulto faça reivindicações ao ajudante como uma criança aos seus pais, e que o ajudante trate o cliente como uma criança, para poupá-lo de algo que ele mesmo precisa e deve carregar – a responsabilidade e as conseqüências”, afirma Bert Hellinger na obra já citada.

4ª- “A empatia do ajudante deve ser menos pessoal e sobretudo sistêmica”.

Não se envolver pessoalmente com o cliente, esta a 4ª ordem da ajuda, segundo Bert Hellinger, mas vê-lo fazendo parte de uma família. Desta forma o ajudante pode, ao entrar em sintonia com o campo familiar do cliente, perceber quem nesta família precisa realmente de ser respeitado, visto e a quem o cliente precisa se dirigir para reconhecer os passos decisivos e caminhar.

Muitas vezes esta “empatia sistêmica” é sentida como dura pelo cliente, particularmente quando este está manifestando reivindicações infantis. Ao contrário aquele que procura uma solução, de maneira adulta, sente o procedimento sistêmico como uma “libertação e uma fonte de força”.

Na relação professor-aluno a observação desta “ordem” é fundamental para que o professor-ajudante possa encontrar soluções nos conflitos trazidos pelo aluno-cliente, geralmente frutos de emaranhamentos familiares complexos. À medida que o professor está mais em contato com sua própria ordem familiar, estará mais preparado para esta ajuda diante do aluno e da escola. 

5ª- “O amor sem julgamento”.

Sair do julgamento, da diferenciação entre os bons e os maus, da preocupação com a “opinião pública” são instrumentos imprescindíveis para ampliarmos nossa consciência e agir de forma profunda na ajuda  que pretendemos. Estar a serviço da reconciliação e não do 

conflito é dar imediatamente espaço no coração para aquele que é criticado pelo cliente, acusado de algoz de seus pretensos males. Neste caso, se damos lugar na nossa alma àquele que é alvo da crítica do cliente, estamos antecipando o que ele ainda precisa fazer, o movimento em direção à reconciliação. 

Observação, percepção, compreensão, intuição e sintonia.

Bert Hellinger, ao discorrer sobre estas “qualidades” do ser humano, nos orienta sobre a “gama de possibilidades” no ato de ajudar.

A observação é “aguda, precisa e direcionada para os detalhes”. E por ser tão precisa, ele diz, “é também limitada, próxima, resoluta, penetrante e, de certa forma, impiedosa e agressiva”. É a condição para a “ciência exata e para a técnica moderna”, conclui.

A percepção é “distanciada”. Embora seja imprecisa nos detalhes, abrange a vista, vê o todo, os detalhes, mesmo imprecisos, ao seu redor e no seu lugar, percebe simultaneamente várias coisas. Um outro lado da percepção é que ela “entende o observado e o percebido ... ela vê por trás do observado e percebido, entende o seu sentido, acrescentando à observação externa e à percepção, uma compreensão”. A compreensão “pressupõe observação e percepção”. Sem a observação, afirma, “o observado e percebido permanecem sem relação”. A observação, a percepção e a compreensão compõem um todo, na opinião de Bert Hellinger e apenas quando atuam juntas é que “percebemos, de forma que podemos agir de um modo significativo e sobretudo, também ajudar de um modo significativo”.

A intuição é “a compreensão súbita da próxima ação a ser realizada”. Enquanto a compreensão, neste conceito, é mais geral, entendendo todo o contexto e todo o processo, a intuição, ao contrário, reconhece o próximo passo e por isso é exata. A relação entre a intuição e a compreensão é semelhante à relação entre a observação e a percepção, na sua opinião.

A sintonia é “a percepção que vem de dentro, em um sentido amplo”. Está também direcionada a uma ação, principalmente a uma ajuda que conduz à ação. A sintonia exige que “eu entre na mesma vibração do outro, que
chegue à mesma faixa de onda, sintonize com ele e, assim, entenda-o”. Para entendê-lo, preciso também entrar em sintonia com sua origem, principalmente com seus pais, mas também com seu destino, suas possibilidades, seus limites, com as conseqüências de seu comportamento, sua culpa e, finalmente, com sua morte.

Então eu posso de fato ser o instrumento preciso e adequado da ajuda, numa ordem superior: 

“ Em sintonia, eu me despeço de minhas próprias intenções, meu 
julgamento, meu superego e daquilo que ele quer, DO QUE EU DEVO E PRECISO FAZER. Isso quer dizer: eu chego à mesma sintonia comigo e com o outro. Dessa forma, o outro também pode entrar em sintonia comigo, sem se perder, sem precisar ter medo de mim. Também posso estar em sintonia com ele e permanecer em mim mesmo. Não me entrego a ele, em sintonia com ele conservo a distância e, exatamente por isso, posso perceber precisamente o que eu posso e devo fazer, quando eu o ajudo. Por isso a sintonia é também passageira. Dura somente o tempo que dura a ação que ajuda. Depois disso cada um volta à sua vibração especial. Por isso, não existe na sintonia transferência nem contratransferência, nem a chamada relação terapêutica, portanto, nenhuma tomada de responsabilidade pelo outro. Cada um permanece livre do outro.” 

Estas observações, percepções, compreensões, intuições de Bert Hellinger, embora mais direcionadas à ajuda no processo psicoterapêutico, estão em sintonia, na minha opinião, com a ajuda também na relação professor-aluno. Tomar consciência destas qualidades inerentes e/ou passíveis de aprendizado e treinamento, podem contribuir para um processo educacional que contribua para a formação do Ser Humano.
Dagmar Ramos é médica homeopata e facilitadora das Constelações Familiares. 
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As vezes pensamos que devemos "ajudar" e chegamos até ao estremo de  sofrer um certo peso de consciência por não ter "ajudado". Então conclui-se que a "ajuda" é muito relativa e às vezes o que é bom aos nossos olhos pode ser péssimo para o outro, e vice-versa... Um exemplo-um jovem adolescente sofre porque não tem emprego, e aí, consegue um, cujas características são: longe de sua residência, remuneração pequena  e um chefe extremamente exigente.
Então, os pais sentem que aquilo é exploração, e que o garoto não precisa de passar por nada disso. Ajudou ou atrapalhou?
Na verdade impediu que este jovem aprendesse a lidar com situações difíceis, criando assim, uma "musculatura" para enfrentar situações adversas em sua vida profissional e pessoal. 
E quem sabe se o fato dele enfrentar tudo isso com profissionalismo, em seguida não surgiria um belo presente como uma oportunidade melhor?
Afinal, as coisas são como são...e aceitar com gratidão tudo o que é, por pior que seja não nos diminui em absolutamente nada.
Essas situações geram muita polêmica e existem pais que simplesmente não permitem nenhuma opinião a respeito.
E as vezes também é necessário que seja desta forma...percebem?
Quando olhamos com amor, tudo fica mais tolerável e até mais fácil. Aceitar tudo como é... o outro como é... grande sacada!
Boa semana
Tais


domingo, 4 de setembro de 2016

Você tem paciência?

"Existem vários tipos de paciência e aqui abordarei primeiramente o “tipo de paciência Guru-Discípulo”. Ela se baseia no fato de que um discípulo não pode aprender sem um guru, e assim, se ninguém nos testar, não podemos desenvolver paciência. 

No século dez, o grande mestre indiano Atisha foi convidado para o Tibete para ajudar a revitalizar o Budismo. Esse mestre indiano trouxe com ele um cozinheiro indiano. O povo tibetano respeitava muita Atisha e lhe perguntou: “Professor, porque você trouxe esse cozinheiro desagradável da Índia? Porque não o manda de volta? Podemos cozinhar para o senhor; cozinhamos muito bem.” Atisha respondeu: "Ah, ele não é só um cozinheiro. Eu o trouxe porque ele é meu professor de paciência!"

Da mesma forma, se há alguém desagradável em nosso trabalho, que vive dizendo coisas irritantes, podemos olhar para essa pessoa como nosso/a professor/a de paciência. Existem pessoas com
hábitos muito irritantes, como ficar tamborilando os dedos, por exemplo. Se ninguém nos testar, como poderemos nos desenvolver? Se encontrarmos situações difíceis, como uma longa espera no aeroporto ou rodoviária por conta de um atraso, podemos usá-las como uma oportunidade de ouro para praticar a paciência: “Ah! Eu tenho treinado isso. Tenho treinado cultivar paciência e agora é minha chance para ver se eu realmente consigo colocar isso em prática.” Ou, se estivermos tendo dificuldade em conseguir algum formulário burocrático de alguma instituição, tomamos isso como um desafio. “É como quando eu treinei artes marciais por algum tempo e finalmente tive a chance de por em prática minhas habilidades. Estou encantado.” Da mesma forma, se estivermos treinando ser pacientes e tolerantes, e encaramos uma situação irritante, olhamos para ela com alegria: “Ah! Aqui está meu desafio. Vamos ver se consigo lidar com ela sem perder meu humor, sem ficar com raiva e até mesmo sem me sentir mal.”

Não perder a paciência é um desafio muito maior que uma luta de artes marciais. Isso porque o desafio está em nossas mentes, nossos sentimentos, não está só no corpo e no controle físico. Se alguém nos critica, devemos tentar olhar essa crítica como uma chance ver
onde nos encontramos em nosso desenvolvimento, ao invés de ficarmos com raiva. “Essa pessoa que está me criticando pode estar indicando coisas a meu respeito com as quais eu posso aprender. ”Dessa forma, devemos tentar tolerar a crítica e aprender a lidar com ela, mudando nossa atitude. Ficar muito chateados pode acabar causando mais embaraço do que alguém simplesmente nos criticando e gritando conosco.”

Paciência com a Natureza das Coisas
Outra forma de lidarmos com a raiva e desenvolver paciência é através da “paciência com a natureza das coisas”. É da natureza das pessoas infantis agir mal e rudemente. Se há fogo, sua natureza é ser quente e queimar. Se pusermos nossa mão no fogo e queimar, bom, o que esperávamos? O fogo é quente, por isso o fogo queima. Se atravessarmos a cidade na hora do almoço, bom, o que podemos esperar? É hora do almoço e o trânsito vai estar ruim – essa é a natureza das coisas. Se pedirmos a uma criança para segurar uma bandeja ou uma caneca de chá quente e ela derramar, bom, o que deveríamos esperar? É uma criança e não devemos esperar que crianças não derrubem as coisas. Da mesma fora, se pedíramos a alguém para nos fazer um favor ou fazer alguma coisa para o nosso negócio, fazemos um acordo, e ela não cumpre sua parte, bom, o que esperávamos? Pessoas são infantis, não podemos contar com os outros. Shantideva, o grande mestre indiano disse: “Se você quer fazer algo positivo e construtivo, faça você mesmo. Não confie em ninguém mais. Isso porque, se você confiar em outra pessoa, não há garantia de que ela não vá desapontá-lo.” É assim que podemos olhar as situações: “Bom, o que eu esperava? É da natureza das pessoas desapontar os outros, não há razão para eu ficar com raiva”.

Paciência da Esfera da Realidade
O ultimo método a se usar contra a raiva é chamado “paciência da esfera da realidade”, ver o que realmente está acontecendo. Temos a tendência de rotularmos os outros, nós mesmos e os objetos, como se tivessem uma identidade sólida. É como desenhar um grande círculo imaginário em torno de algumas características nossas e projetar
que são nossa identidade sólida: “Isso é quem eu sou; é quem eu sempre deverei ser”. Por exemplo, “Sou um presente de Deus para o mundo”, ou “sou um perdedor, um fracasso”. Ou então colocamos um grande círculo em volta de alguém e dizemos: “Ele é irritante. Ele não é bom, só causa problemas”. No entanto, se essa fosse a identidade verdadeira, sólida dessa pessoa, ela sempre teria que existir dessa forma. Ele teria que ter existido dessa maneira desde criança. E ela também teria que ser irritante para todo mundo; sua mulher, seu cachorro, seu gato e seus pais, porque ela seria verdadeiramente uma pessoa irritante.

Se conseguirmos ver que as pessoas não existem com um grande círculo em sua volta delineando concretamente sua identidade ou natureza, isso também nos fará relaxar e não ficar com tanta raiva delas. Vemos que o comportamento irritante de uma pessoa é só uma ocorrência passageira – mesmo que freqüente – e não constitui o modo como ela deve ser sempre."

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A paciência está muito ligada à raiva. Quando esta nos "toma", ficamos cegos, julgamos e a perdemos.
Quando você sentir raiva, volte-se para dentro de si mesmo e cuide dela o melhor que puder. E quando alguém fizer você sofrer, cuide de seu sofrimento e da sua raiva. Não diga nem faça nada. Qualquer coisa que você diga quando está com raiva pode causar ainda mais dano ao relacionamento.
No entanto, a maioria não faz isso.. Em vez de nos voltarmos para dentro de nós e cuidarmos da raiva, queremos ir atrás da outra pessoa para puni-la.
Se sua casa estiver pegando fogo, a coisa mais urgente a fazer é tentar apagar o incêndio e não correr atrás de quem o provocou. Esta não seria uma atitude sábia. Da mesma maneira, quando você sente raiva, se continuar a discutir com a outra pessoa, se tentar puni-la, você estará agindo exatamente como aquele que corre atrás do criminoso enquanto as chamas estão devorando a casa dele.
E em última análise a raiva contamina apenas a nós mesmos. Àquele que nos provocou atinge seu objetivo e nós carregamos algo que nos é absolutamente nocivo, pois altera nosso humor, ficamos desatentos, a percepção da realidade fica nebulosa e , por último ficamos doentes e impedidos de receber as vibrações do alto- que sempre nos indica o melhor caminho.
Vou indicar um vídeo fantástico sobre paciência como antídoto da raiva, com Jetsunma Tenzin Palmo,para que você ouça e reflita um pouco mais. Segue link (recorte e cole na barra de endereço):

https://www.youtube.com/watch?v=-TPmStsYZ5Q

Boa semana , com muita calma e paciência.
(A meditação nos ajuda...)
Tais