domingo, 25 de outubro de 2015

Amar aos pais - como eles são!


5854821317_dc75a3b3ca_b




"Bert Hellinger, um teólogo, filósofo e psicoterapeuta alemão, criador de uma nova abordagem de psicoterapia sistêmica, desenvolveu um trabalho revolucionário que tem amplas implicações para o aconselhamento de casais, acompanhamento de crianças, pedagogia, consultoria de empresas, dramaturgia, política e solução de conflitos sociais.

Ele trouxe um novo olhar para nossa forma de viver nossos vínculos e relacionamentos.

Na reflexão de hoje, trazemos um pouco do que ele fala sobre nosso relacionamento com nossos pais. Para ele, nós continuamos, mesmo quando adultos, levando conosco a criança que fomos e, levando também os julgamentos, as reivindicações e as acusações aos nossos pais.

Para Bert, não há como seguir na vida de forma saudável e com sucesso, se não abrimos mão disso tudo, tomando nossos pais como eles são, como pessoas bem normais, que fizeram o que foi possível. Tomar a eles e tomar a vida do jeito que foi e do jeito que chegou até nós.

Sinta o que aconteceria na alma se você imaginasse crianças dizendo para seus pais: ”Aquilo que vocês me deram, primeiramente, não foi correto, e segundo, não foi suficiente. Vocês ainda me devem.”

O que estas crianças têm de seus pais quando sentem as coisas desta forma?
Nada.

E o que os pais têm de suas crianças?
Também nada.

Tais crianças não conseguem se separar de seus pais. Sua demanda e suas acusações os prendem de tal forma a seus pais que, apesar de estarem vinculados, é como se não tivessem pais.

O “não” que estas crianças dizem a seus pais, acaba sendo dito para elas mesmas, pois, todos nós somos nossos próprios pais (somos a continuação biológica deles). E então elas se sentem vazias, carentes e fracas. (Vale aqui relembrar que quando falamos crianças, podemos nos referir a pessoas de 5, 10, 15, 30, 50, 70 anos. Todos nós somos as crianças que fomos um dia, pois elas continuam a viver dentro de nós).

Esta é a segunda ordem do amor: que as crianças tomem de seus pais, aquilo que estes possam dar, da forma que vier, sem nenhuma exigência adicional, pois, o que eles deram já foi suficiente e permitiu que a vida chegasse até nós."
Ana Garlet, Coaching e Consteladora Sistêmica do Ipê Roxo.

**********

Outro exemplo clássico de desrespeito da ordem de chegada é quando ocorre a separação do casal e um dos dois casa-se novamente. 
Os novos companheiros, nova esposa ou esposo, entram para a família como segundos na ordem de chegada. Quando se observa que esses se comportam de forma a querer mandar em tudo e modificar muita coisa, falar mal dos ex-companheiros, isso traz muito desequilíbrio para o atual casal. Geralmente, os filhos, se existirem, não aceitam. A primeira esposa ou esposo, gostemos ou não, sempre farão parte da história daquela família e daquele relacionamento afetivo. Eles devem ser respeitados, independentemente do que aconteceu anteriormente.

É como se a família tivesse uma alma própria e se alguém é severamente desrespeitado ou não reconhecido, todo o sistema sofre. Como no corpo humano se um órgão está doente todo o sistema sentirá.


Quando não aceitamos os pais do nosso cônjuge também estamos desrespeitando aqueles que chegaram primeiro do que nós na família. Dessa forma, não aceitamos uma parte do nosso cônjuge e isso acaba desequilibrando a relação.

O mesmo acontece quando não aceitamos nossos pais como eles são. Eles chegaram primeiro e merecem ser respeitados. Quando queremos modificá-los, perdemos força na vida.
Boa Semana
Tais

domingo, 18 de outubro de 2015

Prazer e dor - a eterna gangorra da Vida


"Como lidar com isso que parece tão difícil de mudar? Essa dinâmica na vida de experimentar prazer e dor, inclusive, nas mesmas situações. Em um momento nos alegramos, é tudo o que queremos; em outro, queremos fugir, acabar com tudo, desaparecer. A mesma pessoa, o mesmo vínculo é capaz de nos causar essas emoções tão antagônicas e não conseguimos deter esse processo. Prazer e dor são energias conflitantes, que se reforçam mutuamente. Quanto mais prazer, mais apego ao que gostamos. Isso leva inevitavelmente ao medo e ao sofrimento de perder esse “bem precioso”. Uma vez que nada dura para sempre, é questão de tempo. A mudança chega e traz a dor com ela, pois as circunstâncias da vidas mudam a todo momento e não podemos detê-las. Aí vem a aversão, a fuga, o não querer sentir, a raiva, as compulsões e tentativas de se livrar daquilo que nos machuca. 

Um dia amor, outro dia ódio, um dia alegria, outro tristeza. E vamos seguindo nessa gangorra da vida, nesses altos e baixos, sendo arrebatados pelos ventos e tempestades emocionais, sem conseguir atracar em lugar seguro. Quanto mais a intenção de conter essa dinâmica, mais preso se torna a ela. Como esse mecanismo é parte da vida, do fluir e contrair, do nascer e morrer de todas as coisas, é impossível dominá-lo e tentar deter. O que nos resta é aceitar o que vem, aceitar o que vai. Assim como as ondas do mar, contemplar a natureza da vida e encarar os fatos com mais naturalidade ao invés de querer mudar o que é. Isso traz um profundo sentimento de paz interior. Aceitar as coisas como são é sinal de amadurecimento emocional e espiritual. Abrir mão do controle e do desejo de ter as coisas do seu próprio jeito é uma forma de exercitar a tolerância e aceitação dos movimentos da vida, do ritmo e escolha do outro, do jeito de ser de cada um, do tempo de despertar que está ao alcance de todos, apesar de ser muito distante para a grande maioria.

Isso é um fato: nossa condição humana revela exatamente onde estamos. Não há a quem cobrar essa fatura pois somos nós que nos colocamos onde estamos. Transferir o problema para o outro é ilusão e perda de tempo. O problema é interno e cabe a cada um olhar, entender, assimilar, reconhecer e transmutar. É um eterno caminhar, pois a consciência tem graus infinitos; a cada passo, um novo desafio, pois eles são muitos. Querer saltar os obstáculos da vida para fugir da dor não resolve. Eles permanecem guardados, arquivados e virão à tona no devido tempo. E o que é pior, chegam causando estragos! O que se reprime, torna-se sombra. Àquilo que resiste, persiste. Essa combinação da sombra com as repetições dos padrões comportamentais e emocionais formam cristalizações difíceis de serem dissolvidas. Por isso dizemos o que queremos, mas não praticamos essa intenção. Há uma tremenda distância entre entender mentalmente o problema e o que precisa ser mudado e a mudança em si. De teoria o mundo está cheio. O treinamento vai além das palavras, rótulos, repetições verbais. Um passo, depois outro, pensar diferente, fazer diferente, ser diferente, sentir, falar e agir diferente. Assim a mudança acontece. Falar apenas, não adianta.

Daí, se a mesma situação surgir, veja claramente as emoções e sentimentos que ela causa. Se é prazer, desfrute-o no momento presente, viva-o, sinta-o, mas não pense no outro dia, como será, o que vai acontecer depois... Você não tem o outro dia, você só tem o agora. Então, fique aqui com ele, sem querer fugir. Se conseguir fazer assim, boa parte do sofrimento desaparece. Muito da dor tem a ver com a mente projetada no passado ou futuro, querendo respostas e garantias de que o que é bom vai durar para sempre e o que é ruim nunca mais vai acontecer. Isso é ingenuidade, pois o controle não existe quanto se trata da existência. Nem ao menos conseguimos controlar nossa própria respiração. A maioria do tempo ela acontece alheia à nossa vontade. Quando dormimos, nem ao menos nos damos conta que respiramos e temos um coração batendo. Estamos literalmente sonhando o tempo todo. E dentro do sonho, também sonhamos que não vamos sofrer, que vamos atravessar o rio da ignorância para a sabedoria sem passar pelas tormentas e angústias que fazem parte do despertar. Se a tristeza chega, ela traz em si um ensinamento. Então, aceite-a também pois ela pode ser uma bela amiga quando lhe revela algo importante a respeito de si mesmo. Sinta a dor sem preferências, sabendo que assim como os bons ventos passam, as tempestades e tormentas também vão passar. Nada dura para sempre, lembra?

Aceite o que vem, aceite o que vai. Ontem lá em cima, agora aqui em baixo. É assim, um eterno surgir e desaparecer. Vida e morte juntas, no mesmo momento. É tão natural isso quando olhamos a natureza, as árvores, o mar, o rio, o sol, a lua. Somos tudo isso também, não somos algo separado de tudo o que nos cerca. E contemplando a trajetória do sol desde o alvorecer ao entardecer, é possível perceber a naturalidade desse movimento. Assim também pode ser conosco. Brilhar, aparecer, crescer, apagar, desaparecer e voltar a brilhar. Não prazer, não dor, não apego não aversão. Apenas aquilo o que é, no aqui e agora."
Valeria Bastos
**********
Quando algo que consideramos trágico acontece, nós ou resistimos ou nos resignamos. Há pessoas que se tornam amargas ou muito ressentidas, enquanto outras se mostram mais solidárias, sábias e afetuosas. A resignação significa a aceitação interior do que aconteceu. Ficamos abertos à vida. A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados. Seja qual for a ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ele criará também mais resistência externa, e o universo não estará do nosso lado, a vida não nos beneficiará. Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar. Quando nos submetemos internamente, ou seja,  no momento em que nos entregamos, uma nova dimensão da consciência se abre. Caso uma ação seja possível ou necessária, essa atitude será alinhada com o todo e apoiada pela inteligência criativa,  a consciência incondicional com a qual nos unificamos num estado de receptividade interior. As circunstância e pessoas então se tornam favoráveis, cooperativas. Coincidência acontecem. Se nenhuma ação for possível, repousaremos na paz e no silêncio interior que acompanham a resignação. Descansaremos em Deus.
Tais

domingo, 4 de outubro de 2015

Sofrimento consciente

Se você tem filhos pequenos, ofereça-lhes toda a ajuda, orientação e proteção que estiver ao seu alcance. Contudo, mais importante ainda é: dê-lhes espaço - espaço para que possam existir. Você os trouxe ao mundo, mas eles não são "seus". A crença "Eu sei o que é melhor para você" pode ser adequada quando as crianças são muito pequenas; porém, à medida que elas crescem, essa ideia vai deixando de ser verdadeira. Quanto mais expectativas você tiver em relação ao rumo que a vida delas deve tomar, mais estará sendo guiado pela sua mente em vez de estar presente para elas. No fim das contas, seus filhos cometerão erros e sentirão algum tipo de sofrimento, assim como acontece com todos os seres humanos. Na realidade, talvez eles estejam equivocados apenas do seu ponto de vista. O que você considera um erro pode ser exatamente aquilo que seus filhos precisam fazer ou sentir. Proporcione o máximo de ajuda e orientação, porém entenda que às vezes você terá que permitir que eles falhem, sobretudo quando estiverem se tornando adultos. Pode ser que às vezes você também tenha que deixá-los sofrer. A dor pode surgir na vida deles de repente ou como uma conseqüência dos seus próprios erros.

Não seria maravilhoso se você pudesse poupá-los de todo tipo de dissabor? Não, não seria. Eles não evoluiriam como seres humanos e permaneceriam superficiais, identificados com a forma exterior das coisas. A dor nos leva mais fundo. O paradoxo é que, apesar de ser causada pela identificação com a forma, ela também corrói essa identificação. Uma grande parte do sofrimento é provocada pelo ego, embora, no fim das contas, ele destrua o ego -mas não até que estejamos sofrendo conscientemente.

A humanidade está destinada a superar o sofrimento, contudo não da maneira como o ego imagina. Um dos seus numerosos pressupostos errôneos, um dos seus muitos pensamentos enganosos é: "Eu não deveria ter que sofrer." Algumas vezes, essa idéia é transferida para alguém próximo a nós: "Meu filho não deveria ter que sofrer." Esse pensamento está na raiz do sofrimento, que tem um propósito nobre: a evolução da consciência e o esgotamento do ego. O homem na cruz é uma imagem arquetípica. Ele é todo homem e toda mulher. Quando resistimos ao sofrimento, o processo se torna lento porque a resistência cria mais ego para ser eliminado. No momento em que o aceitamos, porém, o processo se acelera porque passamos a sofrer de modo consciente. Conseguimos aceitar a dor para nós mesmos ou para outra pessoa, como um filho ou um dos pais. Em meio ao sofrimento consciente existe já a transmutação. O fogo do sofrimento transforma-se na luz da consciência. 

O ego diz: "Eu não deveria ter que sofrer", e esse pensamento aumenta nossa dor. Ele é uma distorção da verdade, que é sempre paradoxal. A verdade é que, antes de sermos capazes de transcender o sofrimento, precisamos aceitá-lo."
Eckhart Tolle
********** 
Muitos filhos guardam ressentimentos dos pais. A causa disso costuma ser a falta de autenticidade do relacionamento. O filho tem um profundo desejo de que o pai e a mãe estejam presentes como seres humanos, e não como papéis, não importa com que grau de consciência essa interpretação esteja sendo feita.Podemos estar realizando tudo o que é certo e da melhor forma possível para nosso filho - e, ainda assim, fazer o melhor não é o bastante. Na verdade, fazer nunca é suficiente se negligenciamos o Ser. O ego não sabe nada do Ser, porém acredita que acabaremos sendo salvos porque "fazemos". Quando estamos sob seu domínio, acreditamos que, realizando mais e mais, vamos acabar acumulando "feitos" suficientes para nos sentir completos em determinado momento no futuro. Não, não vamos. Tudo o que conseguiremos com toda essa ação será nos perder de nós mesmos. A civilização inteira está desorientada por fazer aquilo que , por não ter raízes no Ser, se torna inútil.
Como levamos o Ser para a vida de uma família atarefada, para o relacionamento com nossos filhos? A chave é lhes dar atenção.
Uma atenção desvinculada de alguma maneira de fazer ou avaliar.
"Ja fez a sua lição? Coma tudo. Arrume seu quarto. Escove os dentes. Faça isso. Pare de fazer aquilo. Vamos logo, apronte-se."
A outra atenção é muito diferente disto. Enquanto observamos, escutamos, tocamos ou ajudamos nossos filhos, permanecemos atentos, calmos, inteiramente presentes - tudo o que queremos é aquele instante como ele é. Dessa maneira damos lugar ao Ser. Nesse momento se estamos presentes, não somos nem pai nem mãe, e sim a atenção, a calma, a presença que está escutando, olhando, tocando e até mesmo falando. Somos o Ser por trás do fazer.
Tais