domingo, 26 de março de 2017

Seja um celebrante

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Observe se vc anda levando sua vida muito a sério...
A seriedade cria tristeza em você e a tristeza é o solo necessário para o ego.
Então, celebre a vida.
A pessoa verdadeiramente religiosa tem de ser uma celebrante.
Olhe ao redor... Olhe para as árvores... Olhe para os pássaros... Olhe para as flores...
A existência é uma eterna celebração, é uma festividade.
Somente o homem é sério, pois ele tem tentado criar uma separação entre ele e a existência...
Ele quer sua própria identidade, seu próprio nome, sua própria forma.
O ego quer ser o primeiro, o ego quer por todo mundo abaixo dele, daí se levar tão a sério.
O homem exige perfeição, mas ninguém é perfeito.
Ninguém pode existir por um único momento se for perfeito.
Se vc é perfeito vc está parado, não há mais a possibilidade de crescimento, evolução, de movimento...
O ego exige perfeição da própria pessoa e pede pelo impossível.
Ele não é feliz com o comum, ele quer o extraordinário, mas a vida consiste somente do comum.
O comum é belo, o comum é delicado.
Não há nenhuma necessidade de nada extraordinário.
A vida comum é sagrada, mas o ego a condena como mundana.
Daí as religiões continuarem a inventar histórias sobre seus fundadores... 
Moisés separando o mar... Jesus andando sobre a água.
Histórias criadas por seus seguidores só para provar que seus mestres são extraordinários... Que eles não são seres humanos comuns...
Vc não pode descobrir seres humanos mais comuns do que um Buda, um Jesus, um Mahavira.
Eles são tão simples.
Eles se aceitaram a si mesmos como eram...
Eles não almejavam nenhuma perfeição.
Eles foram pessoas belas, e a beleza deles consistia em terem aceitado o comum como extraordinário, o mundano como sagrado.
Todo mundo leva a si mesmo e aos outros seriamente...
E esse é o jeito do ego existir.
Comece a ser um pouco mais brincalhão e vc verá o ego evaporando.
Então passe a levar a vida como uma piada cósmica e ria um pouco mais.
Osho
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domingo, 19 de março de 2017

O fascínio pelo papel de vítima


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Por que razão é tao difícil abandonar o papel de vítima e, com isso, o sofrimento? Existem diversas abordagens para a sua explicação, todos os processos decorrem mais ou menos inconscientemente, uma vez que os limites são permeáveis. 
O sofrimento tornou-se um sentimento a que a pessoa está acostumada e através do qual a sua vida se organizou. Este hábito é tão rotineiro que ainda que a pessoa sofra, ela pode sentir-se bem com ele. Para pôr fim ao sofrimento, exige-se uma mudança de hábitos. Esta mudança pode conseguir-se através de decisões conscientes ou ocorrências do destino.

Para muitas pessoas o sofrimento é a única possibilidade de se sentirem intensamente a si próprias: “sofro, por tanto sinto-me, logo existo”. O sofrimento converte-se na experiência mais intensa das suas vivências. Embora possa parecer contraditório, este paradoxo observa-se com frequência. Muitas vezes os pacientes queixam-se de uma sensação de vazio difícil de suportar depois de se ”terem despedido” do seu sofrimento. 

O sofrimento recompensa, como no clássico caso de quem se beneficia através da doença. Enquanto se sofre, recebe-se mais amor, cuidado e dedicação. Através da doença, por exemplo um enfarte do miocárdio, conseguir-se-á ser mais importante. Tudo gira em torno desse acontecimento. 

O sofrimento eleva o sofredor a uma melhor posição. Porque ele sofre, sente-se numa melhor posição relativamente aos seus semelhantes e daí surge a exigência, que é inconsciente na maioria dos casos. Uma vez que essa exigência é inadequada, não chega a conseguir cumprir-se, motivo pelo qual o papel de vítima e de sofredor se reforçam. Expressões tais como “ninguém me compreende” ou “estão todos contra mim” são convicções básicas dessas vítimas “crônicas”, que permanecem cativas no círculo vicioso do sofrimento. Especialmente no cristianismo, o sofrimento tem para os outros uma grande importância: o martírio é notoriamente uma boa premissa para a santificação. 

O sofrimento pode ser reconhecido socialmente e condicionar o sentimento de pertença a um grupo. A sociedade compadece-se superficialmente das “pobres mulheres abandonadas”, enquanto aos “homens abandonados” não se lhes reconhece socialmente o direito ao seu sofrimento. As “mulheres abandonadas” formam um grupo que se lamenta, afirma e motiva reciprocamente. Quando a mulher abandona o seu papel de vítima, deixa de pertencer a este grupo. Desta forma, e pese embora todos os aspectos de significação, também os grupos de auto-ajuda correm riscos. Frequentemente, a identidade do grupo ordena que somente se possa participar quando se sofre. 

O sofrimento caracteriza-se geralmente pela passividade, portanto, deixar a posição passiva significa agir e passar do papel da vítima ao de sacrificador. Neste contexto positivo, ser sacrificador significa assumir uma responsabilidade e “entrar em ação”. Pude observar que os sofredores sentem uma forte inibição para colocar-se em ação, devido às implicações familiares procedentes de gerações anteriores (homicídio, desapropriação, etc.). Nestes casos, os sintomas são o fracasso e a falta de trabalho. Aferrar-se ao papel da vítima serve para “não chegar a ser assim, como os pais e os avós”.  

O sofrimento pode ser mal interpretado e, dessa forma, restabelecer a própria inocência. Por medo a reconhecer a autoria, a pessoa refugia-se no papel de vítima e volta a ser aparentemente inocente. Como exemplo queria aqui mencionar o papel de muitas pessoas durante o III Reich, que depois da guerra tornaram ao papel de vítimas e “nunca tinham ali estado”. O papel de vítima aqui é quase um fenômeno de massas e foi, durante muito tempo, socialmente aprovado. Esta “falta de reconhecimento” da própria culpa provoca novamente o sofrimento das gerações seguintes. 

Frequentemente, como compensação pela culpa “não reconhecida” dos sacrificadores em gerações anteriores, os membros da família subsequentes sentem-se responsáveis infundadamente. Estas implicações provocam uma persistência no papel de vítima. Por lealdade com as vítimas dos sacrificadores, sentem-se traidores quando abandonam esse papel. Assim que o amor pelo sacrificador ganhe espaço, poderá deixar-se com ele os fatos que lhe correspondem, resolvendo-se dessa forma a compulsão para o sacrifício. Para os descendentes das vítimas vale a pena frisar que também eles permanecem no papel de vítima “por lealdade com os seus antepassados”. Os sintomas destes sofredores são similares, são formas graves de doença e depressão. 

Ilse Kutschera e Christine Schäffler In “Enfermedad que Sana.
 Sintomas Patológicos y Constelaciones Familiares”.
 Alma Lepik Editorial.
Traduzido do castelhano por Eva Jacinto
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Li recentemente o livro de Karl A. Menninger - O homem contra si próprio, e la constam afirmações sobre a vitima.
Ele diz o seguinte: " Existem muitos casos em que o paciente, apesar de dizer que quer ser curado, na verdade não deseja a cura."
O subconsciente é poderoso e estamos diariamente expostos a mitos, histórias da família, sentimentos de culpa, e também  ao "devido estorvo do 'diabinho' rabugento que mora na mente de todos nós".
Isso nos mostra a necessidade da busca constante de crescimento espiritual e também da meditação, caminhos estes que nos levam a limpeza do inconsciente.
É importante que fiquemos atentos aos nossos estados. No consultório normalmente existe uma resistência muito grande do cliente aceitar que ele não quer a cura... Neste caso, é muito interessante partir para as Constelações , onde o cliente poderá "ver"com seus próprios olhos, a manifestação daquilo que está em seu inconsciente.
Uma excelente semana à todos vocês, e minha gratidão aos autores e tradutores do livro com o tema acima citado.
Tais

domingo, 12 de março de 2017

O poder do acolhimento

"Sempre que penso no sentido da palavra acolher instantemente vem a minha mente a imagem querida de um colo de mãe.

Para lá todas as crianças correm ao levar um susto, quando adoecem, ao ralarem o joelho, ou quando voltam da escola.

A mente gosta de passear por aquilo que lhe faz bem, então outras imagens vão aparecendo: abraço gostoso na chegada, lar quentinho em dia de frio, cama macia, coberta no inverno, um bom pedaço de chocolate, café recém coado com pão, sorrisos na recepção.

Acolher vai no inverso do não se importar, porque envolve dar atenção, receber, ouvir verdadeiramente.

Nos dicionários o verbo acolher é relativo a dar abrigo, hospedar, atender, agasalhar, amparar.

É uma ação positiva, e para que ocorra precisa de um comprometimento do corpo, da mente, da emoção. Não dá para fingir o acolhimento porque o corpo denuncia e o outro percebe-se não acolhido.

Abrir o peito e a mente, bem como criar espaço em nós e em nossas vidas é necessário para quem quer receber, dar abrigo e proteção, seja a uma ideia, a uma pessoa, a um trabalho, ou a um animalzinho.

A vontade de ser acolhido mantem-se viva em nós para além da infância, ao longo da vida, bem como a capacidade de acolher aos outros.

Entretanto, o mundo em que vivemos não oferece tão facilmente essa sensação “do colo materno”.

Vemos nos jornais, na tv, nas ruas: crianças sem lar, desnutridas, crianças abandonadas, crianças assassinadas. Adolescentes matando. Animais maltratados. Idosos sofrendo maus tratos. Desmatamento. Sofremos o atendimento frio e insensível em diversas Instituições de Saúde. A intolerância vai mundo afora gerando brigas entre torcidas de times de futebol e guerras religiosas. A internet, as redes sociais, a toda hora narram histórias de desaparecimentos, assassinatos. Há maus tratos por parte de órgãos públicos aos seus cidadãos. Atendimento ruim, indiferente ou ofensivo nos mais diferentes estabelecimentos comerciais. Existe um medo crônico nas ruas de ser maltratado e como consequência uma atitude defensiva-agressiva que em nada ajuda a melhorar as relações.

Nós também, muitas vezes, deixamos de abrir nossos corações para os outros, mantendo-nos desconfiados, arredios, ásperos.

Há um sentimento de desumanização no ar.

A psiquiatra, autora de diversos livros, entre eles o Mentes Perigosas, Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, anuncia que apesar de apenas 3% da sociedade ser psicopata, adotamos valores da psicopatia integrando-os à rotina dos relacionamentos, tornando-os naturais à nossa forma de nos relacionar.

Em outras palavras, a sociedade leva para suas relações de convivência, muitas vezes, a frieza, a indiferença, a coisificação do outro.

Naturalizou-se o não se importar com o outro.

Se os primeiros passos para o acolhimento são a empatia e a sensibilidade ao outro, a falta de interesse e de sensibilidade à existência, gera esse distanciamento, esse esfriamento das relações.

A consequência disso conhecemos bem.

O processo de voltar a se importar, sentir, para ser acolhedor, empático, gentil, envolve não temer o outro e nem a si mesmo. Desfazer-se das camadas de excesso de proteção que nos revestem.

Pode-se tirar camada por camada, ou ir direto ao ponto.

Tudo é possível.

O que vale é voltar a sentir afeto pelos que nos cercam seja no metro, no ônibus, na praça, no trabalho, escola, no elevador, onde for.

Porque vale a pena? Porque acolher tem o poder de mudar vidas para melhor.

Há um poder no afeto compartilhado pouco descrito em nossa sociedade. Mas é fato que onde ele existe em qualidade crianças crescem mais sadias e amorosas; equipes de trabalho, menos tensas, ampliam suas possibilidades e técnicas; famílias seguem fortes independentemente do momento incerto da vida pelo qual passem.

Sob o influxo do acolhimento níveis de stress são rebaixados. As tensões desaparecem. Angustias somem. Medos minguam.

A bioquímica do corpo se altera gerando bem estar.

Acolhidos, distensionados, relaxados, estamos aptos a criar vínculos de confiança e afeto verdadeiros.

Caso sinta que há todo um trabalho a ser feito em busca do autoconhecimento, na administração dos medos e ansiedades (que impedem que permita outros se aproximarem demais), ou que existam feridas emocionais e afetivas, que dificultam que esteja à vontade na presença de outras pessoas e de se sentir acolhido e acolhedor, procure um terapeuta perto de você para iniciar um acompanhamento terapêutico.

As terapias em geral oferecem através de sua imensa gama de possibilidades a ampliação do espectro da nossa sensibilidade, preparando-nos para expressarmos nossa beleza, gentileza, amorosidade, acolhimento, compaixão e ternura, na relação com o outro."
Texto recebido através de e mail - sem autoria
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Definitivamente só posso perceber o outro se me percebo.
Às vezes as pessoas se assustam com a minha pergunta - se está bem- e questionam como eu vi! 
Se temos um pouco de atenção, até a forma como a pessoa fala, respira ou olha nos dá indícios de seu estado.

Assim como existem pessoas que percebem mas não se importam com o outro, ou acham trabalhoso ouvir...

Partindo do princípio de que "eu e o outro somos um", como posso ficar indiferente?

Essa é uma questão que é muito interessante pararmos e refletirmos a respeito... Que tal esta semana para pensar um pouco nisso?
Tais