domingo, 12 de novembro de 2017

Pai e mãe não se separam

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"Para os filhos, seus pais continuam sempre juntos como pais. Separam-se como casal, às vezes vivendo sob o mesmo teto, mas não se separam como pais.

Por isso, quando há filhos, é especialmente importante finalizar as relações anteriores com atenção e cuidado. Um dos grandes anseios dos filhos é ter os dois pais juntos no coração, não importa o que fizeram ou o que aconteceu, sem precisar tomar partido por um dos dois ou se alinhar com um contra o outro (como infelizmente ocorre frequentemente, com penosas consequências).

Onde começam os problemas?

Há frases ou mensagens dos pais, explícitas ou implícitas, que prejudicam terrivelmente seus filhos: “Filho(a), não ame seu pai/mãe, despreze-o(a) como eu e, acima de tudo, não seja como ele(a)”, ou “Filho (a), não queira entender como eu pude amar seu pai/mãe, você é melhor que ele(a).”

Mesmo que não se verbalizem, esses e outros pensamentos parecidos às vezes, são verdades internas para os pais e nutrem a atmosfera familiar de dinâmicas fatais para a tríade relacional mais importante de nossa vida: a tríade pai-mãe-filho.

Recordemos que os filhos não dão tanta atenção ao que os pais dizem, e sim ao que os pais sentem e fazem.

A verdade de nossos sentimentos pode ser negada ou camuflada, mas não pode ser eliminada, portanto, age e se manifesta em nosso corpo. É importante que trabalhemos com nossa verdade e, caso ela gere sofrimento em nós ou em nossos filhos, que tratemos de transformá-la.

E onde começa a solução?

Para o bem do futuro dos filhos, é fundamental que eles estejam bem inseridos no amor de seus pais e que estes consigam se amar, pelo menos como pais de seus filhos.

Não é algo tão raro se pensarmos que, na maioria dos casos, um dia se escolheram e se amaram como casal, e os filhos chegaram como fruto e consequência dessa escolha e desse amor.

Além do mais, quando é possível, é maravilhoso amar o outro progenitor. Eu sempre me surpreendo ao ver como alguns pais e mães se dirigem aos seus filhos passando por cima do outro parceiro.

Essa atitude, que pode parecer razoável, às vezes (a infelicidade costuma chegar vestida de roupagem argumental impecável, mas isenta de amor que nos faz bem), não ajuda os filhos.

Eles não precisam ser os mais importantes; ao contrário, precisam sentir que os pais estão juntos como casal permitindo-se uma recíproca primazia diante dos filhos.

Primeiro o casal, depois os filhos.

Quando um filho é mais importante que qualquer pessoa para um dos pais, isso não é um presente para ele, e sim uma carga pesada; não é adubo, mas seca disfarçada de encantamento. Os filhos não precisam se sentir especiais nem têm de ser tudo para os pais. Isso é demais.

É frequente que um pai projete em seu filho aquilo que lhe falta em seu companheiro ou nos próprios pais, ou aquilo que faltou em sua família de origem, ou aquele sonho que não pôde realizar. E que o filho, por amor, aceite o desafio.

A preço, claro, de sua liberdade e da força para seguir o próprio caminho.

E tudo sai melhor quando têm o apoio de seus pais e antepassados, e quando estão em paz com eles. No entanto, sofrem quando um dos pais despreza o outro ou ambos se desprezam mutuamente, ou quando têm de se envolver excessivamente com um dos dois ou com os dois.

Se os pais se desprezam, para o filho é difícil não desprezar a si mesmo e não parecer a pior versão que o pai ou a mãe traçou do outro progenitor, pois, no fundo, um filho não pode prescindir de amar os pais e não deixa de fazer acrobacias emocionais para ser leal a ambos, inclusive imitando seu mau comportamento, ou seu alcoolismo, ou seus fracassos e desatinos.

“Filho, continuo amando seu pai em você; em você continuo vendo-o e respeitando-o”; “Filha, você é fruto de meu amor e de minha história com sua mãe, e vivo isso como um presente e uma bênção”; “Filho, respeito o que você vive com seu pai/mãe, mais que isso é demais”. Essas e outras frases parecidas alimentam o bem- estar e o regozijo dos filhos.

O que ajuda, portanto?

Que os filhos recebam um dos maiores presentes possíveis em seu coração: ser amados como são, e muito especialmente que por meio deles seja amado o outro progenitor, porque assim os filhos se sentem completamente amados, já que, de uma forma sutil e ao mesmo tempo muito real, um filho não deixa de sentir que também é parte de seus pais."
Joan Garriga em
O amor que nos faz bem – Editora Planeta
 Consulta em https://iperoxo.com
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O relacionamento dos pais com os filhos é importantíssimo para o desenvolvimento e o sucesso destes.
Existe por parte dos filhos um amor profundo e cego, que é leal aos pais, custe o que custar. Por conta disto eles captam os conflitos dos pais, mesmo que não haja  manifestações de desafetos frente aos mesmos. Este amor pode impedi-los de ir para a vida de uma maneira saudável e próspera. Então, aí reside uma responsabilidade enorme dos pais no sentido de seguir a relação parental de maneira positiva, mesmo com o término ou não do relacionamento.
As Constelações (Bert Hellinger)atuam de maneira muito positiva na resolução das dificuldades, ajudando a olhar essas questões que aparecem nos relacionamentos, com amorosidade, além de perceber tudo que envolve estas manifestações, considerando que ela apresenta o que está oculto e muitas vezes nem percebemos (conscientemente).
Tais

domingo, 5 de novembro de 2017

Concessões, uma forma de evitar atritos

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O que leva muitos homens (e mulheres) a aceitar as explicações do cônjuge que chega tarde do trabalho? Não seria mais natural esperar que o companheiro entendesse o nosso cansaço e nos recebesse com carinho redobrado?

Por que nos sentimos na obrigação de participar daquele almoço de domingo com a família se preferíamos ir ao cinema, acordar às 2 da tarde ou encontrar nossos amigos?

Que direito tem o namorado de censurar o comprimento do vestido da namorada? E por que ela concorda em mudar de roupa, interpretando a implicância dele como uma prova de amor?

A reposta a todas essas perguntas é uma só: para evitar atritos com aqueles que amamos.

Fazemos muitas coisas contra nossa vontade porque não temos coragem de arcar com as consequências de um enfrentamento. Tememos as rejeições, as críticas diretas, o julgamento moral.

Temos medo do abandono e da condenação à solidão. Preferimos, então, catalogar essas pequenas concessões como perdas menores e seguimos a vida sem pensar muito nelas.

No entanto, ao longo dos anos, a soma de restrições à nossa modesta liberdade cotidiana se transforma num conjunto compacto de mágoa e frustração, que acaba deteriorando os relacionamentos.

Crescemos com a ideia de que ficar só é doloroso, além de socialmente reprovável (tente jantar desacompanhada num restaurante badalado!). Esse equívoco tem levado muita gente a se prender a um casamento falido ou a um namoro doentio.

Quando a relação acaba e somos impelidos a viver sozinhos, temos a oportunidade de experimentar pequenos prazeres solitários: tomar conta do controle remoto da televisão, dormir com três cobertores, ir ao cinema duas vezes num único domingo, usar aquele vestido bem decotado.

Muitas vezes só essa vivência nos dá a chance de avaliar o quanto eram duras as restrições que aceitávamos passivamente. A descoberta nos deixa menos tolerantes às exigências possessivas, ciumentas e por vezes invejosas impostas pelos elos afetivos usuais.

Junto com a mudança vem a pergunta: “Será que estou ficando egoísta?” Não. Temos o direito de criar uma rotina própria e diferente da praticada por vários grupos familiares e sociais.

Quando somos capazes de compreender o lado rico de estar só, quando perdemos o medo de nos defrontar com nossa solidão, rebelamo-nos contra muitas das pequenas e múltiplas regras de convívio. Então nos tornamos mais livres, inclusive para recompor as bases dos relacionamentos que nos aprisionam.

As normas terão de se ajustar aos novos tempos, passando a respeitar mais a individualidade recém-adquirida e a liberdade que vem junto com ela. Impossível abrir mão de uma conquista tão prazerosa.

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"Medo do amor tem aquele que não ama. No próprio amor esquecemos o medo. É como na guerra. Os que estão atrás têm medo. Os que estão na linha de combate não têm medo. Vá até a primeira linha.
    Mais algo sobre o medo: o medo nasce de uma ideia. Para ter medo do amor é preciso desviar o olhar de quem se ama. Se você olhar, o medo desaparece imediatamente. Portanto, o medo é a pequena felicidade."
Bert Hellinger em A Fonte Nào Precisa Perguntar Pelo Caminho
O movimento de concessões precisa ser interrompido... e como fazer? Talvez uma metáfora clareie algo:
O movimento deve ser interrompido. O reconhecimento da concessão e a interrupção exigem muita coragem para o totalmente novo. Quando a interrupção dá certo, surge aí uma conquista especial. 
A interrupção não dá certo simplesmente deixando-se levar pela correnteza. Devemos retroceder... Em vez de nadar na correnteza, podemos ir até as margens, olhar a correnteza até compreender o velho padrão e reconhecer o novo e, então decide-se o que fazer.
Este é um processo de amadurecimento, que ao contrário daquilo que imagino, só acontece quando busco, quando me incomodo realmente!
Uma ótima semana.
Tais

domingo, 29 de outubro de 2017

A mudança de cada um

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"Todos temos em nossas vidas momentos de alegria e momentos de dificuldades. Quando tudo vai bem, compartilhamos alegria e felicidade com os que nos cercam.

Porém, nos momentos mais difíceis, quando estamos cercados por desafios, por diversas vezes queremos nos livrar dos problemas, mas sem enfrentá-los. Desejamos que eles sumam, e que assim, possamos voltar ao que consideramos normal: ser feliz.

Se o sofrimento percebido é maior que o prazer que nos sentimos intitulados a ter, passamos a procurar por soluções que efetivem mudanças rápidas, e que nos faça retornar ao que percebemos como bom. Ficamos nervosos com a dificuldades. Queremos excluí-las.

Queremos nos livrar do que consideramos ruim e viver só dentro do que está ligado à felicidade. Mas ao negar os desafios, negamos tudo de bom que ele traz para nossa vida.

A exclusão da dificuldade
As dificuldades que surgem em nossa vida é algo que nos pede atenção e que é importante ao nosso desenvolvimento. Ao acolher o que se apresenta, estamos dando alguns passos adiante no nosso processo de viver e no nosso caminho de melhora pessoal.

Em seu livro “Purificação Emocional”, o autor John Ruskan diz que tudo que negamos se torna mais forte e presente em nossa vida. Dessa forma, ao tentar fugir do que nos é difícil, simplesmente aumentamos nossa exposição ao problema e sua influência sobre nós.

Ruskan diz que devemos convidar, em nossos interior, o que nos assusta e nos causa dificuldades para um acolhimento sem julgamento. Aceitamos que sentimos raiva, rejeição ou qualquer outra dor emocional estejam conosco e silenciosamente, percebemos para a informação para qual o sentimento aponta.

Ao darmos espaço para que o que faz parte de nós se apresente, aliviamos o corpo do seu trabalho de nos mostrar o caminho e então podemos ouvi-lo.

Essa escuta nos direciona o olhar e ajudar o corpo a liberar a energia que se encontra por trás do sentimento. Assim, nos organizamos e ficamos melhores com o que faz parte de nosso destino.

Sobre a aceitação
Na constelação familiar, a aceitação ao destino é um ponto chave para os movimentos internos de mudança.

Temos em nosso sistema familiar histórias que por algum motivo não aceitamos. Por vezes por criar conflitos com nossos valores pessoais, outras por estarmos diretamente expostos à ação.

Sofremos as consequências por não aceitar. A não aceitação dos destinos difíceis é como uma pedra que bloqueia a vazão de um riacho, fazendo que suas águas parem de correr e fiquem represadas.

Esse é o fluxo da força do nosso sistema familiar. Ao não aceitarmos pontos de nossa histórias, acabamos por prejudicar que os aprendizados e forças positivas também cheguem até nós. É como se o sistema ficasse represado, com o fluxo normal alterado.

Quando não aceitamos, paramos de nos relacionar com a nossa própria história, perdendo acesso ao muito do que há positivo na história dos nossos antepassados.

E então, nós sofremos de forma dupla: por não aceitar e porque isso acaba por trazer mais dificuldades pra nossa vida.

O que a Constelação diz sobre as nossas dificuldades?
O psicoterapeuta alemão Bert Hellinger observou que existem 3 leis universais que regem a nossa vida, quer nós saibamos delas ou não. Ele as chamou de leis do amor.

Elas coexistem e não são hierarquizadas, o que significa que todas agem ao mesmo tempo sem exclusão de uma em favorecimento de outra.

A lei do pertencimento diz que todos que fazem parte de um sistema familiar jamais pode ser excluído, ou deixar de pertencer. Quando isso acontece, o sistema fica pressionado na busca da inclusão de quem foi afastado. A pressão transparece em forma de dificuldades de alguns ou todos os membros do sistema, e só se alivia com o retorno do excluído.

Esse retorno muitas vezes não é possível fisicamente, dado que pode ter ocorrido em gerações anteriores que não estão mais vivos. Mas, nós, como continuidades deste sistema, trazemos o excluído ao nosso coração, e o aceitamos como parte de nosso sistema. Essa aceitação transparece em nossas falas e ações, e isso traz alívio ao sistema.

A lei da ordem mostra que aqueles que vieram primeiro em um sistema tem precedência sobre aqueles que vieram depois. A quebra dessa lei causa pressão ao sistema, que busca restaurar o lugar de cada um dentro do grupo.

É comum encontrar o desrespeito desta lei quando mais novos buscam expiar ou “resolver” as dores dos mais velhos. Ao fazer isso, tomam uma posição de superioridade, se “engrandecem” e quebram a ordem do sistema. Ajudas dentro do sistema são possíveis, desde que todos permaneçam em seu lugar. Um filho permanece um filho, mesmo com seus pais idosos que precisam de seu apoio.

A lei do equilíbrio fala da troca igualitária entre o dar e o tomar em pessoas do sistema. Se uma pessoa só toma e a outra somente dá, há um desequilíbrio que precisa ser restaurado. Dessa forma, os membros desses sistema serão pressionados até que o equilíbrio nas trocas seja restabelecido.

Os desequilíbrios nas relações se mostram com rupturas. Alguém em algum momento precisa sair daquele lugar. A “inocência” de quem dá demais se torna um fardo pesado para aquele que toma e não tem como retribuir. As relações resistem através da troca equilibrada, onde todos podem contribuir igualmente. A única exceção se dá no relacionamento entre pais e filhos: neste lugar, os pais dão aos filhos, que retribuem passando o que receberam aos netos. Assim, a vida segue adiante.

A Constelação Familiar revela a dinâmica que atua no sofrimento
Ao seguirmos para um atendimento em constelação familiar e levar o tema que nos causa dor, é possível percebermos qual é a dinâmica que atua no nosso sofrimento e dificuldade. Podemos perceber as repetições de um padrão que nasceu no nossos sistema familiar, e que continuamos a perpetuar cegamente.

A constelação revela, em apenas um único atendimento, fatos e movimentos do sistema que muitas vezes demoram anos para serem percebidos em outros tipos de terapia. Além disso, a experiência de uma constelação é prática, o que permite vivenciar a dificuldade e olhar para sua solução.

Ao observar e vivenciar a dinâmica que age em nossa vida, nosso corpo se empodera de recursos para agir na direção de uma mudança mais madura. As vezes de forma muito rápida, outras vezes de forma lenta. “Nossa alma é lenta e certeira”, disse Bert Hellinger.

Bert Hellinger
O método observado por Hellinger não é mágico nem místico. Há uma ciência que baseia o funcionamento das constelações, além de toda a experiência observada pelo terapeuta alemão. São novos informações, como as trazidas pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, que vão dando o aval científico a algo que é percebido claramente em nosso interior em um atendimento de constelação sistêmica e familiar.

Ao cliente de uma constelação cabe o papel ativo de agir ao que é percebido em um atendimento, e do seu lugar, tomar as atitudes necessárias para alterar a sua realidade. Esperar pelo solução mágica é a posição da criança que não deseja tomar uma frente ativa em sua vida. Agir é algo que cabe ao adulto. E a constelação familiar pode nos ajudar a alcançar a boa ação."

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Gratidão à Ipê Roxo Espaço Terapêutico, na cidade de Florianópolis, pelos assuntos tão bem escritos.

Você quer constelar um tema? 
Marque seu horário comigo (Curitiba): 
Psicóloga Tais Fittipaldi Bergstein  (CRP 08/1336)
Fone (41) 99962-33012
Boa semana e boas reflexões sobre suas necessidades.
Tais